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Ô JOSUÉ

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FILME | Josué de Castro - Cidadão do Mundo, 1994 O filme retrata a vida e a obra do médico, filósofo, sociólogo e geógrafo pernambucano que dedicou sua vida a um dos maiores e eternos problemas da humanidade, a fome.

​Quem foi Josué de Castro?

Por Miqueias Vitor

Josué de Castro (1908-1974) foi um médico, pesquisador e professor brasileiro. Pesquisou os problemas da fome e da miséria no Brasil. Realizou conferências e estudos sobre a fome em vários países. Foi professor em diversas universidades no Brasil e da Universidade de Vincennes, na França.

Josué fez seus primeiros estudos em casa, com sua mãe. Foi aluno do Ginásio Pernambucano e depois ingressou no Colégio Carneiro Leão  onde concluiu o que hoje chamamos de Ensino Médio.  Foi para a Bahia iniciar os estudos em medicina que foi concluido no Rio de Janeiro na Faculdade Nacional de Medicina do Brasil, onde permaneceu durante seis anos.

Seus estudos o levaram a descobrir que a fome era uma verdadeira catástrofe social. Era contra a afirmação de alguns estudos que admitiam que a fome era decorrente das condições físicas, climáticas e étnicas.

Josué concluiu que o problema da região e do país não era climático nem étnico, mas social, que resultava das estruturas econômicas e sociais impostas no período colonial e mantidas nos períodos Imperial e Republicano.

Após o golpe de 1964 Josué teve seus direitos cassados e seus livros foram proibidos em todo o território nacional. 

Morreu no exílio, na França em 1974, após ter enviado inúmeras cartas enviadas ao Brasil solicitando o seu regresso.

Não podemos deixar sua memória esquecida. Por isso aqui lembramos da sua importancia e seu papel no combate a fome mundial.

IMPORTANTE LEMBRAR PARA NUNCA ESQUECER!

Josué foi agraciado com o título de "Cidadão do Mundo" por seu livro "Geopolítica da Fome", publicado em 1951, que lhe trouxe reconhecimento internacional. Também por duas vezes foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu o Prêmio Roosevelt, em 1952.

ALGUMAS OBRAS:

Conheça o Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro: https://josuedecastro.org.br/

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Entrevista: Bruno Alves, autor de Ô JOSUÉ! Crônicas da fome 

Por Rian Lucas

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"O Josué! Crónicas da Fome", apoiado pelo Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) do Recife, apresenta quatro HQS inspiradas nos escritos e vida de Josué, com o objetivo de homenagear esse grande pernambucano. Produzido pelo grupo Feirantes de Quadrinhos, formado pelos reconhecidos artistas penambucanos Adriano dos Anjos, Bruno Alves, Eron Villar, Fábio Paiva, Luciano Félix e Marcos Santana, o trabalho ampliou sua regionalização ao convidar a renomada quadrinista paraibana Thaïs Kisuki, para estimular a formação de novoS artistas, veio a jovem e talentosa Lua, multiartista recifense que reside em Brejão, agreste pernambucano. As HQs apresentam um olhar critico sobre as consequências da fome, assim como uma diversidade estética, com influència do movimento manguebeat, que acaba de completar 30 anos.

Fale um pouco sobre a sua carreira:

Bruno Alves: Meu nome é Bruno Alves. Sou licenciado em Educação Artística - Artes Plásticas e Mestre em Comunicação, ambas as formações pela UFPE. Sou professor do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde leciono as disciplinas de arte-educação, além da optativa Histórias em Quadrinhos e Educação. Comecei fazendo quadrinhos desde criança nos meus cadernos de desenho e fui alfabetizado em casa por meio das histórias em quadrinhos (HQ's). No final dos anos 1990, junto com outros quadrinistas, editei e publiquei HQ's em fanzines. Ministrei oficinas de quadrinhos na UFPE, no Festival de Inverno de Garanhuns e em congressos de arte-educação. Também sou pesquisador de quadrinhos e, nos últimos cinco anos, tenho publicado tanto fanzines quanto histórias mais profissionais, como as que escrevi para os livros "Ô Josué! Crônicas da Fome", de 2023 e "O Carnaval de Capiba", lançado este ano.

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Entrega da obra a Biblioteca do Ginásio Pernambucano

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Como as obras de Chico Science e de Josué de Castro chegaram na sua vida ?

Chico Science veio naturalmente por conta do sucesso que o movimento Manguebeat fez nos anos 1990. Tocava direto nas rádios, as bandas do movimento eram objeto de matérias de jornal, revistas e em programas de televisão. Vi shows de Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S.A., Mestre Ambrósio, Devotos e outras bandas representativas da época. E foi justamente por meio de Chico Science que conheci Josué de Castro, mais precisamente na música "Da Lama ao Caos". Quando ele cantava "Ô Josué, nunca vi tamanha desgraça" eu ficava me perguntando quem era esse Josué. Aí fui pesquisar e descobri que ele tinha sido um intelectual (médico, geógrafo) muito importante na história, não só de Pernambuco, mas para o mundo.

Como chega a você a ideia de escrever é aonde chega os demais escritores do livro ?

Faço parte de um coletivo de quadrinistas chamado Feirantes de Quadrinhos. Esse grupo, formado por nove integrantes, entre desenhistas e roteiristas, tem vários projetos em desenvolvimento. Quando nos reunimos em 2022 para definir qual deles seria levado adiante ficamos sabendo que em 2023 faria 50 anos da morte de Josué de Castro, além dos 30 anos do Movimento Manguebeat. Então decidimos fazer um livro sobre Josué de Castro e ao mesmo tempo homenagear Chico Science, citando trechos de músicas nos quadrinhos e ressaltando a ligação entre eles. Dos nove integrantes do grupo, seis participaram do livro e decidimos convidar duas artistas: a paraibana Thaís Kisuki e a pernambucana Lua, que mora no interior do estado. Cada roteirista teve a liberdade de escolher.

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Oficina de Charges ofertada pelo autor no Ginásio Pernambucano

Imagens do livro

 Qual das histórias do livro te impacta mais ? E por que ela te impacta ?

Sendo bem sincero, eu gosto de todas asquatro porque cada uma delas aborda de modo único a pessoa e o trabalho dele. Aminha história tem como protagonista um sociólogo que pesquisa a fome no Brasil apartir das ideias de Josué de Castro e se depara com uma trama política de desvio demantimentos destinados às pessoas em situação de fome, coisa que aconteceregularmente em nosso país, infelizmente; a história de Thaís e Lua traçam um perfilbiográfico de Josué, mostrando a sua importância para o mundo ao denunciar ascausas reais da fome, além demostrar a admiração e o respeito que outrospensadores e intelectuais tinham com ele; Marcos Santana e Eron Villar criam umahq que mescla referências da literatura mundial (Franz Kafka) com as ideias visuaisdo movimento manguebeat e os temas do trabalhador que vive do mangue e dagentrificação; e Fábio Paiva e Adriano dos Anjos nos mostram a atuação de Josuéenquanto deputado federal tentando abrir os olhos do congresso para a tragédia dafome no país. As hqs se complementam, o que torna o álbum coerente.

Imagens do livro

Durante o projeto de criação e produção você enfrentou alguma dificuldade?

A dificuldade foi transpor para o roteiro e as ideias de Josué de Castro sem adaptar diretamente texto sociológico ou ficcionaldele (ele escreveu um romance, "Homens e Caranguejos"). O que empurrou minhahistoria para a frente foi a imagem de pessoas catando ossos e restos de carne noano de 2021 que revi em uma reportagem de 2023. então decidi procurar outrasimagens emblemáticas da fome e peguei a de um sertanejo segurando um calangopela cauda, fotografia que ilustrou uma reportagem sobre a fome no nordeste nosanos 1980. Daí decidi que meu personagem seria um cientista social inspirado porJosué de Castro e que dava continuidade ao seu trabalho de combate às causas dafome. Depois que consegui definir isso, a história fluiu rapidamente

Imagens do livro

Que conselho que você deixa para a juventude sobre as obras de Chico e Josué

Eu acho que a ficção, seja ela nos quadrinhos, cinema, novela, série, literatura, teatro ou música tem o poder de trazer a tona assuntos importantes que às vezes ficam esquecidos pela sociedade, assim como a história de pessoas importantes que contribuíram muito para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O trabalho de Josué de Castro ainda é muito atual. A fome ainda é uma chaga em nossa sociedade. Então, se quiserem compreender a sociedade atual, o mundo contemporâneo, é importante para os jovens resgatarem pensadores como Josué de Castro e outros de igual importância para que a partir deles se possa pensar soluções para enfrentar e tentar resolver esses problemas. Josué ainda está vivo nas palavras e ações daqueles que admiram sua trajetória e espalham suas palavras, e aqui faço questão de citar a Profa. Mércia, que tem feito um trabalho digno de respeito ao levar para a sala de aula Chico Science e Josué de Castro num diálogo incrível.

Mais obras do autor...

Palavramundo. 2019
Link: https://marcadefantasia.com/revistas/corisco/palavramundo/palavramundo.pdf

Isolado - Uma História da Quarentena. 2021
Link: https://fliptru.com.br/comic/isolado-uma-historia-da-quarentena

Paúra. 2022

Outubro. 2023
Ô Josué! Crônicas da Fome. 2023 

O Poeta. 2024

O Carnaval de Capiba. 2025

© 2025. Projeto idealizado e aplicado pela a Professora Mestra Mércia Ferreira Braz Passos. Orgulhosamente desenvolvido pelos os Caranguejos do Capibaribe.

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