
GALERIA
DE ARTES:
Nossas artes feitas para relembrar o manguebeat e suas raizes.

OVERDRIVE
Feito por: Alex Buarque
pequenos barcos de madeira ancorados
sob o sol de 10 horas da manhã
aquele que racha o coco
que estala telhas e esquenta o dorso
​
o estuário que escorre calado
escondido sob os rios e pontes:
"blinded by the sun, who would dare to overdive?"
ninguém vê o paraíso que escoa ali
um paraíso escondido — um estuário
onde o silêncio vira berço, bênção e refúgio
quando perguntamos... não sabem nem dizer o significado não sei mentir...
eu também não sabia mas hai quem diga que a ignorância é um luxo.
​
do sururu, tiram a carne — alimento na mesa de quem precisa
do sol, o combustível arde no bolso para quem não tem mais gasolina
mas e a casca... o que se faz da casca? nada — literalmente (?)
nada retorna à água — sinônimo de casa para uns e despejo para outros
mas quem garante o que é ouro ou não?
às vezes já temos o ouro na palma da nossa mão
mas desconfiamos porque não brilha.
​
"o mundo gira!" ou "a terra é plana!" — eles dizem
o ciclo vai rodando, a roda vai girando e a fortuna vai caindo
e a água sobe, evapora e volta em forma de conchas
onde o sururu nasce, cresce, morre — morre e chora
e a casca... não apodrece porque espera ser arte — ser memória.
porque tudo se transforma e tudo se reforma
mas nem toda transformação é visível...
algumas simplesmente acontecem no invisível:
na lama que sustenta, na maré que carrega frutos escondidos
ou na mão que coleta o que ignora
e o mundo ainda roda, roda, roda sem parar
gira, grita, gira de novo, volta e vira pó
e do pó viram mariscos, dos mariscos viram rios
e os rios desaguam no mar — ciclos.
​
o sururu virou mais uma das minhas metáforas
não por querer parecer mais homem
mas é que o mundo é uma poesia constante — o sururu também vira
e poesia é o espelho do mundo que come a carne e cospe a casca.

CHICO VIVE
Feito por: Felipe Martins
Na lama do Capibaribe
Nasceu um som diferente,
Feito brasa incandescente.
Era Chico em alto tom,
Sacudindo toda gente.
​
Não vestia terno,
Nem seguia padrão,
Misturava a tradição
Com batida e distorção.
Fez do mangue seu palco
E da arte, revolução
​
Tinha antena na cabeça
E os pés sujos de chão,
Via o futuro no barro,
Via a rima na opressão.
Fez da dor sua poesia,
Da cultura, salvação.
​
Quando o sistema ignorava
A favela e seu valor,
Chico gritava mais alto,
Mostrando que o Nordeste,
É potência e é amor.
​
Mesmo após sua partida,
Chico não se apagou,
No compasso do mangue,
Sual alma continuou.
Cada rima que denuncia,
É semente que ele plantou.
​
Chico vive em cada canto,
Onde a arte é resistência,
Na batia que incomoda,
Na juventude em consciência.
Ele é farol no escuro,
É do povo, é permanência.


Fotografia Pedro Fulco

Charge por Ângelo Fulco
Vídeo:
A Praieira por Ângelo Fulco


Pintura
Da lama ao caos
Por Hannah Brito
Exposição RIOS, PONTES E OVERDRIVES por Pedro Fulco.
Durante o mês de agosto de 2025 percorremos as ruas do Bairro do Recife e a rua da Aurora em busca das melhores paisagens e cenas do cotidiano para serem capturadas pelas lentes do celular. Todas as fotos foram produzidas pelo nosso caranguejo Pedro Fulco sob a orientação da nossa professora coordenadora Mércia Passos.A exposição física ocorreu no dia da comemoração dos 200 anos da nossa escola.





















