Cine Caranguejo: Análise do filme do cineasta pernambucano Paulo de Andrade HOMENS E CARANGUEJOS.
- MERCIA PASSOS
- 4 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de jun. de 2025
Por Alex Buarque
Homens e Caranguejos (2016) é um curta-metragem dirigido por Paulo de Andrade, inspirado no livro de mesmo nome por Josué de Castro. O curta impressiona pela forma como traduz a sobrevivência e a resistência dos moradores das margens do mangue. Desde as primeiras cenas, a fotografia quase fria e acinzentada já cria um clima melancólico, espelhando o ambiente lamacento e as dificuldades enfrentadas por quem vive à margem. Essa escolha de paleta não é apenas estética, mas também funciona como uma metáfora para as vidas que se moldam na lama, sem muitas opções de fuga.
Logo no início, o pequeno Josué aparece urinando nas margens do mangue e, em seguida, lavando o rosto na mesma água. É uma imagem que deixa claro o nível de precariedade e dependência desse ambiente. Essa relação íntima e inevitável com o mangue, por mais insalubre que seja, é uma realidade que define os moradores, mostrando que, às vezes, não há escolha a não ser se adaptar ao que se tem. O curta também explora a questão do pertencimento. Em uma conversa com seu pai, Josué pergunta por que eles vivem ali. O pai responde que, apesar das dificuldades, o mangue ainda oferece mais do que o sertão que ele deixou para trás, onde perdeu um filho para pneumonia. Esse relato expõe a ilusão da cidade grande como promessa de vida melhor, que muitas vezes acaba sendo apenas uma extensão dessa exclusão.
Por fim, a direção do curta se destaca por transformar essas histórias em algo quase possível de tocar. A câmera nos coloca na lama, como se estivéssemos lá vivendo as mesmas situações. O roteiro é simples, mas excepcionalmente poético, e a fotografia consegue manter a melancolia constante, fazendo com que a experiência do curta seja ao mesmo tempo bruta e sensível, como a própria vida nos mangues.
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