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Risoflora: a regeneração do amor

  • Foto do escritor: MERCIA PASSOS
    MERCIA PASSOS
  • 17 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

feito por: Francisco Camilo, Bacharel em Filosofia - UNICAP


Risoflora, música de Chico Science e Nação Zumbi, não é uma canção de amor comum, como as que estamos habituados a ouvir e cantar. Ela evoca em seus versos um sentido mais profundo sobre o amor, esse sentimento constituído de alegrias e dores, encontros e partidas. Convida a cada ouvinte, através de figuras de linguagem, a fazer uma viagem de redescobrimento do real sentido desse sentimento. Afinal, o que é Risoflora e de qual amor estamos falando?


Ora, Risoflora é o nome popular da Mangue-vermelho (Rhizophora mangle), uma planta comum aos manguezais e que serve de abrigo aos mais variados tipos de animais presentes nos mangues. Entre estes animais está o caranguejo, que não apenas abriga-se nela, como também encontra alimento em suas raízes. Além disso, risoflora é uma palavra que se aproxima de outra a rizosfera, que é o solo derredor à planta, onde há máxima atividade microbiana. E o que isso tem a ver com o amor?


Vejamos a relação entre o caranguejo, o eu lírico da canção, e Risoflora, sua amada. Ele sabe de sua necessidade por ela, do amor que nutre e da relação que mantinha, mas também tem conhecimento de que já foi negligente para com ela: “E aí te deixar de lado como a flor que eu tinha na mão/E a que esqueci na calçada só por esquecer/Apenas porque você não sabe voltar pra mim”. Ao mesmo tempo que reconhece tal negligência, o eu lírico acusa-se pelas vezes em que escolheu colocar-se em situações que lhe afastavam de Risoflora e promete-lhe se regenerar. Regenerar-se é sempre uma atitude de reconstrução; quem se regenera não é mais o mesmo, podendo surgir como nova pessoa, com uma nova visão de mundo.


Aí está o amor que procuramos, um amor platônico – e aqui vale ressaltar que o amor platônico não se trata de algo impossível, Platão nunca disse isso. O amor que ele desenvolve em sua obra O Banquete é um amor puro, voltado não às coisas superficiais ou circunstanciais; ele é profundo, verdadeiro e essencial. Tal qual às movimentações microbianas da rizosfera, ele é invisível aos olhos e como a relação da Mangue-vermelho com o ecossistema do manguezal, ele é de suma importância. O amor que o eu lírico promete à Risoflora é para além dos âmbitos da sensibilidade ou do cognoscível. Por isso é válido afirmar que Risoflora não é uma canção de amor comum, pois o comum é chato, é superficial e, por vezes, desinteressante. Aqui tratamos de um amor tão puro e tão belo, que só um caranguejo poderia sentir por uma planta de mangue.


Foto feita por: Pedro Fulco
Foto feita por: Pedro Fulco

 
 
 

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